A bióloga Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), está no centro de uma conquista científica que pode transformar a vida de pessoas com lesões na medula espinhal. Após quase três décadas de pesquisa, sua equipe desenvolveu a polilaminina, uma molécula capaz de estimular a reconexão de neurônios em áreas lesionadas e possibilitar a recuperação de movimentos que antes eram considerados irrecuperáveis.
A polilaminina é uma versão sintética da laminina — proteína que ocorre naturalmente no corpo e desempenha papel fundamental na formação de conexões nervosas — recriada em laboratório e inspirada em substâncias da placenta humana. Em estudos preliminares, a substância já foi aplicada em oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos, dos quais seis recuperaram movimentos significativos, incluindo um que voltou a andar sozinho.
Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início da primeira fase de estudos clínicos para avaliar a segurança da polilaminina em tratamento de lesões medulares em voluntários selecionados, um passo importante rumo à possível aprovação como terapia.
A pesquisa de Tatiana começou em 1998 no Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ e contou com apoio de instituições como o laboratório Cristália e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Além da aplicação aos ensaios clínicos, a equipe investiga efeitos da substância em lesões crônicas.
O avanço representa uma esperança real para milhões de pessoas que vivem com sequelas de lesões na coluna vertebral, tradicionalmente consideradas irreversíveis, e evidencia o impacto de pesquisas científicas brasileiras no campo da medicina regenerativa.




