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Anvisa autoriza cultivo de cannabis medicinal por empresas, universidades e associações

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (28) um conjunto de resoluções que regulamenta, de forma restrita, o cultivo da cannabis para fins medicinais e farmacológicos no Brasil. A permissão vale apenas para pessoas jurídicas — como empresas, universidades e associações de pacientes — e não libera o plantio para a população em geral nem o uso recreativo.

A decisão atende a uma determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, em novembro de 2024, ordenou que a Anvisa regulamentasse o cultivo da planta exclusivamente para fins medicinais e científicos. Até então, o Brasil autorizava a manipulação, o registro e a comercialização de produtos à base de cannabis, mas proibia o plantio, obrigando a importação do insumo e dificultando pesquisas.

O que muda na prática

A Anvisa aprovou quatro resoluções principais:

  1. Produção e comercialização de produtos à base de cannabis
    Empresas poderão cultivar a planta para produzir derivados, desde que o teor de THC seja de até 0,3% (não psicotrópico). Os cultivares e insumos devem estar previamente regulados pelo Ministério da Agricultura (Mapa).
  2. Pesquisa científica
    Instituições de ensino reconhecidas pelo MEC, ICTs públicas, indústrias farmacêuticas e órgãos de defesa poderão realizar pesquisas, com exigências rigorosas de segurança, inspeção prévia, barreiras físicas e vigilância 24h. Produtos obtidos nessas pesquisas não poderão ser comercializados ou doados.
  3. Produção associativa
    Associações de pacientes poderão produzir derivados exclusivamente para seus associados, seguindo regras específicas.
  4. Controle especial
    A cannabis passa a integrar oficialmente a lista de substâncias sob controle especial no país.

Impactos esperados

Especialistas avaliam que a medida destrava a pesquisa científica e pode acelerar o desenvolvimento de medicamentos nacionais, hoje inexistentes — os cerca de 40 itens disponíveis no mercado são classificados como “produtos”, sem comprovação completa de eficácia clínica. A expectativa é também de redução de custos para pacientes, já que a produção nacional tende a baratear os derivados atualmente vendidos a preços elevados.

Apesar do avanço, a Anvisa reforça: o cultivo é estritamente regulado, com fiscalização sanitária, e o acesso aos produtos continua dependendo de prescrição médica e controle nas farmácias.

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