O Ministério Público da Bahia (MP-BA) entrou com uma ação civil pública contra a cantora Claudia Leitte, pedindo a condenação da artista ao pagamento de R$ 2 milhões por dano moral coletivo, sob a acusação de discriminação religiosa. A ação é resultado de um inquérito civil instaurado para apurar a alteração da letra da música “Caranguejo”.
Claudia Leitte teria substituído o verso que faz referência à orixá Iemanjá por uma menção a “Yeshua”, nome em hebraico associado a Jesus Cristo. A mudança foi apontada por lideranças religiosas de matriz africana e entidades de defesa da liberdade religiosa como um ato de intolerância e desrespeito ao patrimônio cultural afro-brasileiro.
O Ministério Público argumenta que a alteração descontextualiza a obra original e promove o apagamento simbólico de referências religiosas historicamente marginalizadas. A ação, protocolada no dia 2 de dezembro, sustenta que, embora a cantora tenha o direito de professar sua fé, a modificação reiterada de uma obra associada à cultura afro-baiana extrapola a liberdade artística e configura discriminação religiosa, especialmente considerando a grande visibilidade nacional de Claudia Leitte.
Durante o inquérito civil, o MP-BA promoveu uma audiência pública com a participação de lideranças religiosas, juristas, especialistas e representantes da sociedade civil. Os depoimentos reforçaram o caráter coletivo do dano e a necessidade de uma resposta institucional.
Além da indenização de R$ 2 milhões, o Ministério Público pede que a Justiça reconheça a prática de dano moral coletivo e determine medidas para coibir novas condutas consideradas discriminatórias. A ação visa garantir que a cultura e as religiões de matriz africana sejam respeitadas e protegidas contra atos de intolerância e desrespeito.



