A Polícia Federal iniciou, nesta segunda-feira (26), a oitiva de investigados no inquérito que apura um esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Dois suspeitos prestaram depoimento na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), após determinação do ministro Dias Toffoli, relator do caso.
A decisão de centralizar os depoimentos no STF e de reduzir o prazo da agenda de cinco para dois dias alterou o formato habitual das investigações. O ministro justificou a mudança com base na limitação de espaço físico e de pessoal disponível no tribunal. A Polícia Federal avaliou que o prazo mais curto dificulta o trabalho, diante da complexidade do caso.
O inquérito busca esclarecer detalhes das negociações que levariam o BRB a adquirir o Banco Master. A operação acabou suspensa após a identificação de irregularidades e, posteriormente, o Master foi liquidado pelo Banco Central por conta de fraudes financeiras. Segundo estimativas, o BRB desembolsou cerca de R$ 12 bilhões na compra de carteiras de crédito sem garantias e que não pertenciam ao Master, resultando em um prejuízo estimado em pelo menos R$ 3 bilhões.
Entre os investigados ouvidos estão Dário Oswaldo Garcia Junior, diretor de Finanças e Controladoria do BRB, e Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo da Tesouraria do Banco Master. Outros depoimentos previstos para esta segunda-feira foram adiados após a defesa alegar falta de acesso aos autos do processo. A previsão é que novos investigados sejam ouvidos nos próximos dias.
O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, segue utilizando tornozeleira eletrônica desde que deixou a prisão preventiva no fim de novembro. Em depoimento anterior, ele afirmou ter tratado pessoalmente da negociação com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que nega a acusação. Um novo depoimento de Vorcaro chegou a ser agendado, mas foi cancelado após mudanças no cronograma.
A investigação também avançou com a análise de materiais apreendidos em operações realizadas no início do ano. De acordo com a Polícia Federal, peritos já trabalham na extração e avaliação dos dados, incluindo celulares apreendidos com Vorcaro. A direção da PF afirmou que o andamento do inquérito segue regular, sem prejuízos às apurações.
A condução do caso pelo ministro Dias Toffoli foi defendida publicamente pelo ministro Gilmar Mendes, que destacou a observância do devido processo legal e o respaldo institucional à atuação do relator.



