A União Europeia iniciou negociações com o Brasil para firmar um acordo voltado a investimentos conjuntos em minerais considerados estratégicos, como lítio, níquel e terras raras. A informação foi confirmada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante cerimônia realizada no Rio de Janeiro ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O anúncio ocorreu no contexto da celebração do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, tratado negociado ao longo de mais de duas décadas. Embora o pacto comercial seja amplo e envolva diversos setores, a negociação sobre minerais críticos segue em paralelo e ganhou destaque como um dos eixos centrais da relação entre o Brasil e o bloco europeu.
Segundo von der Leyen, a cooperação nessa área é fundamental para impulsionar a transição energética, a digitalização da economia e a autonomia estratégica europeia. Os minerais críticos são insumos essenciais para tecnologias como carros elétricos, turbinas eólicas, semicondutores, equipamentos médicos e aplicações militares.
O interesse europeu surge em meio a uma disputa global crescente por esses recursos. O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, ficando atrás apenas da China. No entanto, grande parte da produção brasileira ainda é exportada sem processamento, o que limita o valor agregado gerado internamente.
Além da União Europeia, outras potências também acompanham de perto o potencial mineral brasileiro, reforçando a posição do país como peça-chave no cenário geopolítico atual. Com a China dominando o refino desses elementos, europeus e norte-americanos buscam diversificar fornecedores e reduzir dependências estratégicas.
Para a Comissão Europeia, o aprofundamento da parceria com o Brasil representa um modelo de cooperação vantajoso para ambos os lados, unindo desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e segurança estratégica em um momento de transformação da economia global.




