O Banco do Brasil informou que uma empresa do setor atacadista deixou de pagar R$ 3,6 bilhões no quarto trimestre de 2025, impactando diretamente os indicadores de inadimplência da instituição. O caso levou o índice de atrasos superiores a 90 dias a atingir 5,17% no período.
Sem considerar esse episódio específico, a taxa ficaria em 4,88%, segundo dados divulgados no balanço financeiro. Ainda assim, o número representa avanço em relação aos trimestres anteriores e ao mesmo período de 2024, refletindo maior pressão na carteira de crédito.
O índice de inadimplência acima de 90 dias é um dos principais termômetros da saúde financeira dos bancos, pois indica o volume de operações com pagamentos em atraso e o risco de perdas. De acordo com a instituição, o caso envolve um cliente da carteira de Títulos e Valores Mobiliários e já vinha sendo provisionado como operação de risco há algum tempo. A negociação foi concluída no fim de 2025, com a cessão da dívida a terceiros no início de 2026.
Apesar do impacto pontual, o banco fechou 2025 com lucro líquido de R$ 20,7 bilhões, dentro da faixa projetada após revisões feitas ao longo do ano, embora o resultado represente queda significativa em relação a 2024. Apenas no quarto trimestre, o lucro ajustado foi de R$ 5,7 bilhões, superando expectativas do mercado.
Para 2026, o banco projeta lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, além de crescimento moderado da carteira de crédito. A instituição também estima expansão nas receitas de serviços e avanço na margem financeira, mantendo foco na gestão de riscos, especialmente nos segmentos empresarial e do agronegócio.
No encerramento de dezembro, a carteira de crédito ampliada somava quase R$ 1,3 trilhão. O retorno sobre patrimônio líquido voltou ao patamar de dois dígitos no último trimestre, alcançando 12,4%, indicando recuperação gradual após um ano marcado por ajustes e aumento da inadimplência.



