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Relatório aponta que poluição do ar supera limites recomendados em todo o país

Um levantamento divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima revela que a qualidade do ar no Brasil tem apresentado níveis de poluentes acima dos parâmetros recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025 reúne dados coletados ao longo de 2024 em estações de monitoramento espalhadas pelo país.

Pela primeira vez, o estudo considera os padrões definidos por resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que estabeleceu metas intermediárias até que o Brasil alcance os níveis ideais indicados internacionalmente.

Poluentes acima do recomendado

De acordo com o relatório, apenas o monóxido de carbono (CO) e o dióxido de nitrogênio (NO₂) permaneceram, na maior parte do tempo, dentro dos limites da fase de transição estabelecida pelo Conama, ainda que com registros pontuais de excesso em alguns estados.

Outros poluentes, como ozônio (O₃), dióxido de enxofre (SO₂) e diferentes tipos de material particulado, ultrapassaram os níveis considerados seguros durante boa parte do ano.

Entre os destaques:

  • O ozônio apresentou aumento médio de até 11% nas medições, com maior intensidade em Minas Gerais e registros também no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia.
  • O dióxido de nitrogênio teve crescimento de até 22% em estações do Rio de Janeiro, com alta também observada em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia.
  • O dióxido de enxofre registrou aumento de 16% no Espírito Santo.
  • O material particulado inalável apresentou elevação de até 8% em Minas Gerais.

Por outro lado, o material particulado fino — considerado um dos mais prejudiciais à saúde por penetrar profundamente nos pulmões e na corrente sanguínea — apresentou tendência de queda em algumas estações, como em São Paulo.

Rede de monitoramento e desafios

O documento também destaca avanços na governança ambiental. O país conta atualmente com 570 estações de monitoramento da qualidade do ar, um aumento significativo em relação aos anos anteriores. No entanto, ainda há problemas no envio e atualização de dados por parte de alguns estados, o que pode impactar a consolidação das informações nacionais.

O relatório reforça a necessidade de fortalecer planos estaduais de controle de emissões, ampliar inventários de poluentes e expandir a rede de monitoramento. Especialistas apontam ainda a importância de estabelecer parâmetros claros para situações de poluição crítica e criar planos de contingência para episódios extremos.

Com a implementação da Política Nacional de Qualidade do Ar, criada em 2024, o governo busca estruturar ações mais integradas para enfrentar o problema. Apesar dos avanços institucionais, os dados indicam que o país ainda enfrenta desafios significativos para alcançar padrões internacionais de qualidade do ar.

Ar poluído- Por C.B
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