Casos de pacientes que saem de cirurgias com objetos esquecidos dentro do corpo têm acendido um alerta em hospitais de todo o Brasil. Dados do Ministério da Saúde apontam que, desde 2022, mais de 500 ocorrências desse tipo foram registradas. Um dos episódios mais graves aconteceu no fim de 2025, em Minas Gerais, quando um homem morreu após uma pinça cirúrgica de 14 centímetros ter sido deixada em seu abdômen.
A vítima foi Manuel Cardoso, aposentado, que vivia no interior mineiro após anos de trabalho como gari. Internado para tratar uma úlcera gástrica, ele passou por cirurgia em um hospital municipal. Dias depois, já fora da UTI, começou a apresentar sonolência excessiva e falta de apetite. Diante do histórico de um AVC sofrido em 2023, a equipe médica suspeitou de um novo episódio neurológico e solicitou exames.
O resultado da tomografia revelou uma situação inesperada: um instrumento cirúrgico havia sido esquecido dentro do corpo do paciente. Manuel precisou ser submetido a uma nova cirurgia, mas não resistiu. Ele morreu poucos dias antes do Natal, aos 68 anos, deixando a família em choque.
Levantamentos feitos por pesquisadores da Universidade de São Paulo mostram que o problema é mais comum do que se imagina. Gazes e compressas lideram a lista de objetos esquecidos durante procedimentos cirúrgicos, motivo pelo qual muitos desses materiais já são fabricados com fios visíveis em exames de raio-x. Ainda assim, o risco persiste.
Especialistas explicam que existem protocolos rígidos de segurança que determinam a contagem de todo o material antes, durante e após a cirurgia. Esses procedimentos seguem diretrizes internacionais inspiradas em métodos adotados na aviação, baseados em checklists e conferências sucessivas para evitar falhas humanas.
Apesar disso, a pesquisa com quase três mil cirurgiões revelou dados preocupantes: mais de 40% admitiram já ter esquecido algum objeto em uma cirurgia, e cerca de 70% afirmaram já ter reoperado pacientes para retirar corpos estranhos. Para entidades médicas, trata-se de um erro inadmissível, que reforça a necessidade de treinamento contínuo, fiscalização e rigor absoluto no cumprimento dos protocolos de segurança.



